O Buda e o Cientista | S. N. Goenka

Publicado em Atualizado em

Trecho do livro “Meditação Vipassana: A arte de viver segundo S.N. Goenka”

A realidade física está em constante transformação a cada momento. Foi o que o Buda constatou ao examinar a si mesmo. Com a mente profundamente concentrada, penetrou fundo na sua própria natureza e descobriu que toda a estrutura material é composta por minúsculas partículas subatômicas que surgem e desaparecem sem cessar. No estalar de um dedo ou no piscar de um olho, disse ele, cada uma dessas partículas aparece e desaparece muitos trilhões de vezes.

“Inacreditável” poderá pensar quem observar apenas a realidade aparente do corpo, que parece tão sólido, tão permanente. Eu costumava supor que a frase “muitos trilhões de vezes” fosse uma expressão idiomática, não para ser levada a pé da letra. Entretanto, a ciência moderna confirmou essa afirmação.
Há vários anos atrás, um cientista dos Estados Unidos recebeu o Prémio Nobel da física. Durante muito tempo havia estudado e realizado experiências para conhecer mais sobre as partículas subatômicas das quais o universo físico é composto. Já se sabia que essas partículas surgem e desaparecem com grande rapidez em um processo de contínua repetição. Agora esse cientista decidiu desenvolver um instrumento capaz de contar quantas vezes por segundo uma partícula aparece e desaparece. Com muita propriedade, chamou o instrumento que inventou de câmara de bolhas e descobriu que, no decorrer de um segundo, uma partícula subatômica surge e desaparece 10 vezes elevado a 22.

A verdade que esse cientista descobriu é a mesma descoberta por Buda, mas que enorme diferença entre eles! Alguns dos meus estudantes americanos, que fizeram cursos na India, mais tarde retornaram ao seu país e visitaram esse cientista. Transmitiram-me que, apesar de ele ter descoberto essa realidade, continua a ser uma pessoa comum com o habitual estoque de sofrimento de todas as pessoas comuns! Ele não está totalmente liberto do sofrimento.

Não, essa pessoa não se tornou um ser iluminado, não se libertou de todo o sofrimento, porque não teve a experiência direta da verdade. Aquilo que aprendeu limita-se ainda à sabedoria intelectual. Ele acredita nessa verdade porque tem fé no instrumento que inventou, mas não teve a experiência da verdade por si mesmo.

Nada tenho contra esse homem nem contra a ciência moderna. Porém, não se deve ser cientista apenas do mundo exterior. Tal como o Buda, devemos ser também cientistas do mundo interior, de modo a podermos ter a experiência direta da verdade. A realização pessoal da verdade transforma, automaticamente, o padrão de comportamento habitual da mente para que se comece a viver de acordo com a verdade. Cada ação passa a ser direcionada em nosso próprio benefício e em benefício dos demais. Se essa experiência interior estiver faltando, a ciência corre o risco de ser mal utilizada, para finalidades destrutivas. Mas se nos tornarmos cientistas da realidade interior, faremos uso correto da ciência para a felicidade de todos.

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