[Vídeo-Palestra] A Iluminação da Sabedoria Primordial (Retiro) + Trecho de entrevista a Lama Padma Samten sobre Física Quântica

Vídeo Publicado em Atualizado em

Temas:

  • Parte 1 – Iluminação da Sabedoria Primordial
  • Parte 2 – A Física Quântica e a natureza da realidade
  • Parte 3 – Metabhavana
  • Parte 4 – Avydia – A base de toda a nossa experiência na Roda da Vida

 

Trecho da entrevista de Lama Padma Samten – Zero Hora:

O senhor foi professor universitário de física durante 25 anos. Como se tornou budista?

Demorou um pouco de tempo. Praticava yoga quando adolescente, por volta dos 16 anos, no início da década de 1960. Eu vivia na cidade de Rio Grande, que considero minha cidade natal. Nasci em Porto Alegre, mas vivi lá toda a minha juventude, até voltar para estudar na Capital. Tive essa conexão com a yoga, mas tinha a sensação de que tinha algo muito profundo a ser descoberto. Fui buscar por dentro da ciência, mas acabei me encontrando com o budismo, no início dos anos 1970, e com o movimento ecológico, já no final da década. Isso foi por meio de amigos como o Celso Marques (filósofo e ex-presidente da Agapan) e o José Lutzenberger (ecologista morto em 2002), com quem tive bons momentos. Um deles foi a luta contra a instalações das centrais nucleares. Meu interesse foi se ampliando e percebi que a questão ecológica demandava uma transformação interna. Estava lecionando na universidade e vi a limitação do método científico. Vi como os cientistas se enganam. A gente olha a realidade, ela parece de um jeito, mas na verdade é de outro. Fiquei interessado pelo erro, em estudar como a mente se engana. O budismo ajudou a entender isso. Aí juntou tudo: movimento ecológico, física e budismo.

Como o senhor fez a transição da ciência para a religião?

Estava no terceiro ano de Física, estudando teorias antigas. Minha turma era unida, e questionamos por que estudar as teorias antigas e não as modernas. Achávamos que estudar física quântica traria mais respostas. Mas essas teorias modernas da física não eram um conteúdo da universidade. Quando terminei a faculdade, fiz pós-graduação e estava muito focado em entender aquilo. Comecei a estudar os clássicos: Niels Bohr, Albert Einstein, Max Planck, Erwin Schrödinger, que traziam diferentes visões. Eles se digladiavam! Comecei a me posicionar dentro das explicações filosóficas. Vi que havia um paralelismo: como a mente funciona e como ela percebe as coisas. E aí, surge o espaço para o engano. Isso está nas apresentações dos livros. Aquela parte que a gente costuma pular. Li um outro autor, chamado Albert Messiah (físico francês), que falava sobre a questão da medida. Me pareceu interessante. Não consegui ir até o fim, pois, à medida que descortinei, migrei para o budismo. O cientista de modo geral pensa que a medida é neutra, mas ela não é. Tem sempre uma pergunta que vem dentro de uma teoria. Por isso que eu pergunto: qual a intensidade do campo elétrico? Tem uma porção de conceitos anteriores operando dentro da pergunta. E isso já enfoca as possibilidades de resposta. Niels Bohr se deu conta disso, e criou uma álgebra e um processo de gestão do conhecimento que leva isso em conta. Ele cria a possibilidade de sair de dentro de uma perspectiva e pular para outra. Isso se aplica não só à física quântica, mas ao mundo inteiro. É como se o mundo todo fosse quântico. Estamos aqui calmos, em uma bolha de realidade, mas quando passarmos para outra situações, vamos mudar a perspectiva, vamos para outra bolha. São os saltos quânticos.

O que são saltos quânticos?

Vivemos dentro de bolhas de realidade. Essas perspectivas criam realidades, que criam coerências, causalidades, urgências, visões de futuro. Saltamos de uma bolha para outra. A gente olha a realidade de um jeito, mas trocamos a base de raciocínio de acordo com a realidade que queremos ver. Isso são os saltos quânticos. A física quântica, nessa perspectiva, é abordada em uma visão mais filosófica, mais psicológica. Os físicos, quem está dentro da universidade, torcem o nariz para isso. Acham que é especulação sem sentido. Mas, de fato, quando as pessoas estão doentes, elas estão doentes dentro de uma bolha de realidade. Tem alguma coisa que as adoece, trabalho, relacionamento. Elas têm algo que está pesado, mas se elas mudarem a posição da mente, pode ser que aquilo não pese mais. Na área médica, especialmente dentro das terapias alternativas, as pessoas veem que, se a mente se posicionar de outra forma, isso não incomoda mais, alivia a tensão, desaparece, tudo muda. É assim que as religiões funcionam. Elas rezam pelas pessoas, e aquilo mostra uma outra perspectiva. Quando trocamos a bolha de realidade, aquilo muda.

Como trocar a bolha de realidade?

O budismo não diz que a gente deva mudar de bolha. Ele observa que a gente opera em várias bolhas ao mesmo tempo. Temos várias identidades no mundo. Cada identidade tem coerências diferentes, regras diferentes. As pessoas têm a bolha de mãe, a bolha de funcionário, a bolha de aluno da pós-graduação. As bolhas são os diferentes papéis que a gente desempenha. Quando saio de uma bolha para a outra, o contexto muda, uso outros referenciais para me movimentar.


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