Algumas palavras sobre vacuidade | Thich Nhat Hanh

Publicado em Atualizado em

Transcrição:

Vacuidade… Shunyata
O ensinamento sobre a vacuidade não tem sido tão explorado no Theravada como nas escolas Mahayana.

A vacuidade não significa que não há nada.

Quando olham para esta flor, vêm que esta flor está cheia de tudo. O sol, as nuvens, o solo, o tempo, o espaço, o jardineiro… tudo, incluindo a tua própria consciência.
Podemos ver que a flor está cheia de consciência, como o pedaço de pão que têm na mão, pronto para ser comido.
Por que é que o descrevemos como “vazio”?

O Bodhisattva Avalokiteshvara ao olhar profundamente os 5 agregados viu que eram igualmente vazios. Vazios de quê?
Vemos que tudo está cheio de cosmos e dizem que está vazio… e ele vai dizer: Tens razão, a flor está cheia de cosmos, a flor só está vazia de uma coisa: Existência separada, ser separado, está vazia de uma natureza de si; porque a flor não pode existir individualmente, a flor tem de interser com todo o cosmos. Se removermos os elementos de não-flor, ela desaparece, ela não pode existir, não pode interser. Por isso está cheia de tudo, mas vazia de uma existência separada.

O mesmo em relação a uma pessoa – se removermos o pai, a mãe… e outros elementos, como os minerais, vegetais, animais, não resta nada de “homem”. O homem é feito de elementos “não-homem”. Portanto o homem existe, não enquanto uma existência separada, um eu separado. Uma manifestação é tornada possível porque todo o cosmos se uniu, manifestando-se enquanto uma maravilha da vida.

Portanto a primeira coisa que aprendemos é que vacuidade não é “nada”, não é não existência.

Este copo é vazio, mas vazio de quê?
Vazio de chá, mas está cheio de ar, portanto vazio é sempre vazio de alguma coisa. Para o copo estar vazio ou cheio, o copo tem de estar presente. Portanto a vacuidade não é algo negativo.

Quando olhamos para o filho… vemos o pai, vemos a mãe, vemos os antepassados. Se removermos o pai, o filho não pode continuar, se removermos a mãe e os antepassados, não pode existir. Portanto o filho e o pai não têm existência separada. O filho está vazio de filho e o pai está vazio de pai, pai e filho intersão. Se não há pai, não há filho, se não há filho não há pai; pai e filho manifestam-se ao mesmo tempo, tal como a direita e a esquerda – intersão.

E há aqueles que ficam tão zangados com o pai que dizem: Não quero ter nada nada a ver com essa pessoa. Disparate! Porque não podes tirar o pai de ti – és a continuidade do teu pai, és o teu pai – és vazio de um Eu separado, és feito de elementos não-eu e nos elementos não-eu, há o elemento pai. Se meditares na vacuidade vais ver a interconexão entre ti e o pai e podes libertar-te da raiva – porque és o teu pai.

Tu não és uma pessoa, és uma linhagem, e quando te vês assim, vês que és todo o cosmos e que estás vazio de um eu separado. E este é um sentimento muito profundo, que tem o pode de te libertar, remover todo o tipo de descriminação e libertar-te.

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