Eu não sou Charlie

Publicado em Atualizado em

Devido aos acontecimentos, dizer que não se é Charlie é uma opinião “politicamente incorreta”. Mas não se trata de defender o terrorismo ou a castração da liberdade de informação, nem insensibilidade para com o que aconteceu. Mas sim ter uma visão mais ampla dos acontecimentos.


#WHYSYRIA A crise da Síria bem contada em 10 minutos e 15 mapas

 

Sugiro alguns artigos para reflexão:

“Não, não sou e espero nunca ser Charlie. Nem Charlie nem nenhum dos assassinos que o abateram. Não ganho a minha vida nem uso a liberdade de expressão, o talento, o humor e o impacto mediático para promover o obscurantismo e o ódio xenófobo e anti-religioso (para mim o humor tem limites, sim, tem os limites do amor e da compaixão, pois não consigo achar piada a ofender quem quer que seja) e também não sou um bárbaro e um idiota que pretende defender a religião que acha que é a sua matando e alimentando o ódio contra ela e a consequente xenofobia.
Se sou alguém então sou todas e cada uma das vítimas anónimas e silenciosas desta civilização estúpida e cruel, pelas quais (quase) ninguém ergue a voz e sai à rua, muito menos em manifestações mediáticas, politicamente correctas e apoiadas pelos mesmos poderes instituídos e pelos media que hipocritamente promovem, estimulam e sancionam a violência em larga escala: sou todas e cada uma das vítimas do trabalho explorado e escravo que não são abatidas de imediato, porque isso não seria rentável, mas antes mortas a fogo lento em vidas esvaziadas de sentido como meras peças da engrenagem da produção e do consumo que enriquece as grandes corporações enquanto destrói os seres vivos, os ecossistemas e o património natural do planeta; (…)”

Continue a ler em: PauloaeBorges > Não, não sou e espero nunca ser Charlie

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“(…) O mundo se move de acordo com causas e condições. Os acontecimentos do mundo precisam sempre ser refletidos a partir de toda sua história e contexto (para uma visão contextual mais equilibrada sobre o atentado em Paris, confiram “9 Points to Ponder on the Paris Shooting and Charlie Hebdo” de Omid Safi, diretor do Centro de Estudos Islâmicos da Universidade de Duke). Depois de dois dias lendo e vendo notícias a respeito do atentado na França, o que mais me impressiona é a ausência de qualquer espírito de autocrítica por parte da imprensa.

(…)  É natural que num momento como este os colegas dos cartunistas e jornalistas assassinados se reúnam em torno de uma mesma mensagem. Mas de uma classe que se espera um espírito critico vindo da escolha de uma profissão que supostamente busca a clara expressão de notícias na busca da verdade, essa ausência de autocrítica é desalentadora.

Para várias pessoas no mundo não há nada de sagrado na vida. Respeitemos isso. Mas há também muitas pessoas que consideram que há coisas sagradas, e elas merecem igual respeito. Fazer gozações grosseiras a respeito dos profetas e fundadores das religiões é parte desse desrespeito generalizado em nome do humor e de uma não refletida ‘liberdade de expressão’.

Um humorista brasileiro, ao saber do atentado na França, disse que culpar o humor pelo atentado é como culpar uma mulher por um estupro. Faça-me o favor. São coisas completamente diferentes. O humor dirigido a fundadores de religiões que milhões tomam como algo sagrado em suas vidas são agressões diretas. Mulheres não agridem estupradores. Jornalistas e cartunistas que usam de seu lápis para ridicularizar tudo e todos, com ou sem qualquer base, agridem. É claro que não se pode comparar a agressão por meio do lápis com a agressão das armas. Porém, que não se engane, ambas são agressões. (…)”

Continue a ler em:  FolhasNoCaminho – Nalanda: Eu não sou Charlie

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“Começo por dizer, antes do mais, que considero uma atrocidade o ataque aos escritórios da revista satírica Charlie Hebdo em Paris e que não creio que, em nenhuma circunstância, tenha justificação converter um jornalista, por mais duvidosa que seja a sua qualidade profissional, num objectivo militar. O mesmo é válido em França, como na Colômbia ou na Palestina. Tão pouco me identifico com qualquer fundamentalismo, seja cristão, judeu, muçulmano, nem sequer com o bobo-secularismo afrancesado que erige a sagrada “República” a uma deusa. Faço estes esclarecimentos necessários, pois, por mais que insistam os gurus da alta política que na Europa vivemos numa “democracia exemplar” com “grandes liberdades”, sabemos que o Grande Irmão nos vigia e que qualquer discurso que sai do libreto é duramente castigado, Mas não creio que censurar o ataque contra o Charlie Hebdo seja sinónimo de celebrar uma revista que é fundamentalmente um monumento à intolerância, ao racismo e à arrogância colonial. (…)

Não me esqueço da capa do Nº 1099 de Charlie Hebdo, em que se banalizava o massacre de mais de mil egípcios por uma brutal ditadura militar, com o beneplácito da França e dos Estados Unidos, através de uma manchete que dizia qualquer coisa como “Matança no Egipto. O Corão é uma merda: não pára as balas”. A caricatura era a de um homem muçulmano crivado de balas, enquanto se tentava proteger com o Corão. Pode haver a quem isto pareça ter graça.  (…)”

Continue a ler em:  ColectivoLibertarioEvora > Je ne suis pas Charlie 

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“O crime hediondo que foi cometido contra os jornalistas e cartoonistas doCharlie Hebdo torna muito difícil uma análise serena do que está envolvido neste ato bárbaro, do seu contexto e seus precedentes e do seu impacto e repercussões futuras. No entanto, esta análise é urgente, sob pena de continuarmos a atear um fogo que amanhã pode atingir as nossas consciências. Eis algumas das pistas para tal análise.

A luta contra o terrorismo, tortura e democracia. Não se podem estabelecer ligações diretas entre a tragédia do Charlie Hebdo e a luta contra o terrorismo que os EUA e seus aliados têm vindo a travar desde o 11 de setembro de 2001. Mas é sabido que a extrema agressividade do Ocidente tem causado a morte de muitos milhares de civis inocentes (quase todos muçulmanos) e tem sujeitado a níveis de tortura de uma violência inacreditável jovens muçulmanos contra os quais as suspeitas são meramente especulativas, como consta do recente relatório presente ao Congresso norte-americano. E também é sabido que muitos jovens islâmicos radicais declaram que a sua radicalização nasceu da revolta contra tanta violência impune. Perante isto, devemos refletir se o caminho para travar a espiral de violência é continuar a seguir as mesmas políticas que a têm alimentado como é agora demasiado patente. (…)

No mesmo dia, 37 jovens foram mortos no Iémen num atentado bombista. No verão passado, a invasão israelita causou a morte de 2000 palestinianos, dos quais cerca de 1500 civis e 500 crianças. No México, desde 2000, foram assassinados 102 jornalistas por defenderem a liberdade de imprensa e, em Novembro de 2014, 43 jovens, em Ayotzinapa. Certamente que a diferença na nossa reação não pode estar baseada na ideia de que a vida de europeus brancos, de cultura cristã, vale mais que a vida de não europeus ou de europeus de outras cores e de culturas assentes noutras religiões. (…)”

Continue a ler em: Publico > Charlie Hebdo: Uma reflexão difícil

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“(…) Um mulá islâmico tem uma idéia bem diferente de um padre do que é insulto a fé. Se queremos uma imprensa livre não poderemos ter censura de espécie alguma, se houver injúria, difamação ou calúnia elas devem ser tratadas a luz da lei de reparações posteriores. Qualquer um que pretenda restringir isto apelará para seu quadro referencial e tentará impor seus valores aos outros, isto é o fim da liberdade tão duramente conquistada pela civilização. (…)”

Continue a ler em:  OPicoDaMontanha > Liberdade e Ofensa

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Por fim, 2 artigos em inglês do site Buddhist Channel relativos à Fala Correta:


Sobre Paulo Borges, Ricardo Sasaki, Monge Genshô | Lista de Mestres e Professores

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